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Viralizou na rede: garrafinhas de água podem expor sua saúde a uma série de riscos que você nem imagina, graças aos micróbios invisíveis que residem lá dentro.
Preferidas por muita gente como uma opção mais ecológica do que ficar usando as versões descartáveis, garrafas reutilizáveis de plástico ou de metal podem mesmo virar um ambiente propício à proliferação de bactérias e fungos diversos. Dependendo da situação, esses microrganismos até podem levar a encrencas à saúde.
Mas não é tão simples assim. “É preciso saber, primeiro, se as bactérias encontradas são potencialmente patogênicas e, segundo, se a quantidade delas é alta o suficiente para representar risco,” explica o infectologista Renato Grinbaum, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
“É necessário cuidado ao divulgar estudos que apenas detectam a presença de microrganismos”, reforça o especialista.
Em suma: nem todas as bactérias ali presentes realmente representam um risco sério à saúde. E, de todo modo, é bem fácil higienizar sua garrafinha corretamente para evitar encrencas. Não precisa descartá-las por medo de pegar alguma doença!
Entenda melhor essa história.
Quais os riscos reais das garrafinhas reutilizáveis?
O especialista da SBI destaca que bactérias e fungos estão presentes em nosso planeta há pelo menos 2 bilhões de anos, com enorme capacidade de se adaptar a praticamente todos os ambientes. Por isso, não é surpresa que também estejam nas garrafas d’água: “encontramos bactérias na água que bebemos, no ar que respiramos e também dentro das garrafinhas”, explica Grinbaum. “A presença de bactérias é algo natural”, tranquiliza o médico.
Isso não quer dizer que o risco é nulo, mas a simples presença de microrganismos encontrados em diferentes estudos não é suficiente para gerar pânico se você não é uma pessoa com o sistema imune comprometido por alguma doença ou tratamento de saúde (como ocorre em pacientes oncológicos passando por quimioterapia, por exemplo).
Mesmo entre aqueles que levam as garrafas para ambientes como a academia, por exemplo, e acabam deixando-as no chão enquanto fazem exercícios, não é preciso se descabelar. “As chances [de infecção] são baixas, porque, geralmente, as garrafas estão fechadas e o contato é com a superfície externa”, destaca.
Ainda assim, como existe a possibilidade de contaminação bucal, especialmente com bactérias e parasitas, a higienização é recomendada. “Mas, se os riscos fossem tão altos, quem frequenta academia teria diarreia muito frequentemente, o que não acontece”, reflete Grinbaum.
O perigo é aumentado em duas situações principais, destaca o infectologista:
1) Quando você compartilha a garrafinha: nessas situações, uma pessoa que esteja enfrentando alguma doença contagiosa pode transmitir os agentes causadores da infecção através do uso compartilhado da garrafa, já que o bocal terá contato direto com a saliva onde estão os vírus e outros patógenos. O ideal é contar sempre com uma garrafinha individual.
2) Quando você não higieniza corretamente: neste caso, não estamos mais falando da simples presença natural de bactérias, mas de um ambiente em que elas tiveram a oportunidade de se proliferar sem controle, devido à falta de limpeza por muito tempo. No entanto, o médico ressalta que, mesmo assim, a preocupação maior é com as pessoas com o sistema imunológico fragilizado. “Pode haver maior chance de infecção [nesses casos]”, explica. Quando as bactérias se multiplicam o bastante para gerar problemas nesse público, “a principal complicação é a diarreia aguda,” destaca o médico.
Por isso, Grinbaum resume: “não desprezamos o risco: considero a higienização importante, mas não é um problema de
grandes dimensões“.
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Como higienizar corretamente
Em resumo: se você tem uma garrafa de uso individual, limpá-la com frequência deveria bastar para se proteger de qualquer encrenca à saúde. Mas como fazer isso? “A recomendação é manter a higienização regular da garrafinha, com água e sabão,” diz o médico.
O indicado é fazer essa limpeza diariamente. Vale lembrar que os microrganismos são invisíveis, então você dificilmente terá qualquer sinal perceptível na cor da água em si – e nada de esperar que ela fique com gosto ou cheiro estranho para fazer a limpeza!
Especialmente no bocal, vale também se certificar de que você está esfregando bem, para que nenhum resíduo fique justamente no lugar de maior contaminação em potencial: aquele que permanece em contato direto com a saliva. Se os materiais da sua garrafinha permitirem (confira na embalagem, no ato da compra), também pode ser uma boa ideia colocá-la na máquina de lavar louças.
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