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Muito estigmatizada por ser a matéria-prima da cocaína, a coca é uma planta nativa das regiões andinas, com uma enorme importância cultural, medicinal e econômica para os povos originários que a descobriram milênios atrás nessa parte da América do Sul.

Quem visita países como a Bolívia e o Peru pode ser incentivado a mastigar as folhas da coca ou, então, convidado a provar o chá de coca.

A bebida é um poderoso estimulante que também é utilizado como uma forma de combater os efeitos da altitude, uma realidade inescapável nas regiões mais elevadas da cordilheira.

E vale desfazer qualquer mal-entendido logo de cara: a planta com a qual se faz o chá tem concentrações muitíssimo menores das substâncias que tornam a droga nociva, e não causam o mesmo impacto deletério à saúde.

Para que serve o chá de coca?

O grande uso tradicional do chá de coca se deve ao potencial estimulante. A infusão é feita com as folhas da Erythroxylum coca, nome científico dessa espécie, e promete render efeitos semelhantes àqueles obtidos pela simples mastigação das próprias folhas.

Substâncias presentes na planta seriam capazes de aliviar temporariamente uma série de desconfortos, como a dor, o cansaço ou a fome.

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Esse combo de bem-estar também impactaria na forma como o corpo enfrenta o “soroche”, nome dado por alguns povos andinos à indisposição geral ocasionada pelo ar rarefeito.

É importante observar que a comprovação científica desses benefícios (ou seu modo de ação) ainda é controversa.

Alguns trabalhos até sugerem que todo o poder do chá de coca diante dos efeitos da altitude seria, principalmente, um placebo.

Em qualquer cenário, muita gente garante que ele funciona – e não é casualidade que tanto os nativos da cordilheira quanto montanhistas tentando um pouco mais de resistência seguem recorrendo à planta.

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O chá não tem o efeito da droga!

Toda a má-fama que a cocaína emprestou à coca não se justifica no mundo real. Aqui, vale entender o que de fato é a droga, e qual sua relação com a planta: a cocaína é um alcaloide presente em quantidades muito pequenas nas folhas de coca.

Alcaloides, por sua vez, são compostos existentes em vegetais que podem ser isolados em laboratório e, em alguns casos, são estimulantes e viciantes: além da cocaína, casos bem conhecidos incluem a nicotina e a cafeína.

A questão é que, na natureza, a concentração de cocaína nas folhas de coca é realmente muito baixa: dependendo da espécie, ela sequer ultrapassa 0,2%.

Na prática, seus efeitos psicoativos não são sentidos pelo consumo da folha, seja mascando ou na forma de chá.

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A maneira de fazer a droga que conhecemos como cocaína é utilizando uma série de processos químicos que isolam esse alcaloide das outras substâncias da folha, aumentando sua concentração a níveis perigosos – que geram dependência química e podem até matar.

Mas essas técnicas só surgiram no século 19 e não têm qualquer relação com as formas milenares de consumo da planta, o que inclui o chá de coca.

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