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O câncer do colo do útero é um dos tumores ginecológicos mais frequentes no Brasil e, ao mesmo tempo, um dos mais preveníveis. Ainda assim, a doença registra cerca de 17 mil novos casos por ano no país e permanece uma importante causa de mortalidade entre mulheres.
Esse cenário revela um paradoxo preocupante: mesmo com vacina contra o HPV e exames capazes de identificar lesões precoces, muitas mulheres ainda recebem o diagnóstico em fases avançadas, quando o tratamento se torna mais complexo e as chances de cura diminuem.
O Janeiro Verde reforça a importância da informação, da prevenção e do diagnóstico precoce.
A relação entre HPV e câncer do colo do útero
A maioria dos casos de câncer do colo do útero está associada à infecção persistente pelo HPV, um vírus muito comum transmitido principalmente por contato sexual.
Na maior parte das pessoas, o organismo elimina o vírus espontaneamente. No entanto, quando a infecção persiste por anos, pode provocar alterações celulares progressivas no colo do útero, que evoluem de lesões pré-cancerosas para câncer invasivo.
Esse processo costuma ser lento, o que torna a doença altamente prevenível quando há rastreamento adequado. Identificar e tratar as lesões antes da progressão permite interromper esse caminho e evitar o desenvolvimento do câncer.
Vacinação e rastreamento: pilares da prevenção
A vacinação contra o HPV é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a incidência do câncer do colo do útero na população. Ela previne a infecção pelos tipos de maior risco do vírus, preferencialmente antes do início da vida sexual.
Além da vacina, o rastreamento regular é fundamental. O exame preventivo do colo do útero, conhecido como Papanicolau, identifica alterações celulares precoces.
Recentemente, novas formas de rastreio, como os testes de HPV, que detectam o DNA do vírus, ganharam espaço por terem maior sensibilidade na identificação de infecções de risco.
Quando realizados nos intervalos recomendados e com acompanhamento médico, esses exames reduzem de forma significativa a incidência e a mortalidade pela doença.
+Leia também: Adeus, papanicolau: SUS implementa teste 100% nacional para detectar HPV
Sinais de alerta e importância do acompanhamento ginecológico
Nas fases iniciais, o câncer do colo do útero geralmente não provoca sintomas, o que reforça a importância do rastreamento periódico.
Quando surgem, os sinais podem incluir sangramento após a relação sexual, sangramento fora do período menstrual ou após a menopausa, corrimento persistente com odor forte, dor pélvica e desconforto durante a relação. Em casos mais avançados, pode haver dor lombar e alterações do hábito intestinal ou urinário.
Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas exigem avaliação médica imediata. Consultas ginecológicas regulares, exames em dia e atenção aos sinais do corpo são atitudes fundamentais para o diagnóstico precoce.
O Janeiro Verde é um convite à conscientização. O câncer do colo do útero não surge de forma repentina; ele é precedido por alterações detectáveis e tratáveis. Investir em vacinação, rastreamento e acompanhamento ginecológico é uma das formas mais eficazes de proteger a saúde feminina.
Quando a prevenção acontece, o câncer deixa de ser uma ameaça silenciosa e passa a ser uma condição evitável.
*Larissa Müller Gomes é oncologista clínica e membro do Brazil Health
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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