
Ler Resumo
A enfermagem ocupa uma posição de destaque no sistema de saúde brasileiro. Presente em todos os níveis de atenção, do cuidado primário à alta complexidade, é a categoria que ajuda a sustentar, de forma contínua e qualificada, tanto o Sistema Único de Saúde (SUS) quanto a saúde suplementar.
A enfermagem é um ativo estratégico para a eficiência, a segurança e a sustentabilidade do setor. Essa centralidade se expressa no cuidado direto ao paciente e na gestão e organização dos serviços, bem como na liderança de equipes multiprofissionais e na formulação de protocolos assistenciais.
O protagonismo da enfermagem também se evidencia na gestão pública de saúde. Uma pesquisa nacional realizada pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), no ciclo 2017–2020, aponta que, na Região Sudeste, por exemplo, 28% dos gestores municipais de saúde exerceram a profissão de enfermeiro antes de assumir o cargo.
O dado reforça a capacidade técnica, o conhecimento do SUS e o preparo estratégico desses profissionais para ocupar espaços de liderança e tomada de decisão na gestão pública da saúde.
Essa combinação favorece decisões assertivas, organização dos serviços e eficiência na aplicação dos recursos públicos.
Os profissionais de enfermagem são responsáveis por garantir a continuidade do cuidado, a aplicação de boas práticas e a humanização da assistência, elementos indispensáveis para qualquer sistema de saúde que se proponha resolutivo e moderno.
Nesse contexto, está o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP). Somos a maior autarquia de classe da Enfermagem da América Latina, representando quase 700 mil profissionais inscritos no estado de São Paulo.
Essa dimensão reflete a responsabilidade permanente do Conselho na defesa do exercício profissional ético, na valorização da categoria e na garantia de uma assistência segura e de qualidade à população.
Valorização profissional e desafios para o futuro da saúde
Nos últimos anos, a enfermagem brasileira alcançou conquistas históricas. A aprovação do Piso Salarial Nacional da Enfermagem representou um marco civilizatório, resultado de décadas de mobilização, articulação institucional e reconhecimento social do valor desses profissionais.
Essa foi uma vitória que confirma a importância da enfermagem para o funcionamento do sistema de saúde e para a dignidade do trabalho na área.
Entretanto, os desafios não se encerram no piso salarial. O próximo grande marco estruturante da categoria é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 19/2024, que pretende vincular o piso salarial à jornada de trabalho de 30 horas semanais.
A defesa da vinculação dessa jornada ao piso salarial nacional é uma pauta que está diretamente relacionada à segurança assistencial, à saúde física e mental dos profissionais, à retenção de talentos e à sustentabilidade da força de trabalho em saúde.
Profissionais submetidos a jornadas extenuantes têm maior risco de adoecimento e de falhas assistenciais. Portanto, tratar da jornada de trabalho é abordar a qualidade do cuidado, a eficiência dos serviços e a responsabilidade com a população atendida.
O futuro da saúde passa, necessariamente, pela valorização da enfermagem.
Reconhecer o protagonismo desses profissionais, investir em formação qualificada, garantir condições dignas de trabalho e ampliar sua participação nos espaços de decisão são medidas estratégicas para fortalecer todo o sistema de saúde.
Como presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, insisto que valorizar a enfermagem é fortalecer o SUS, a saúde suplementar e a assistência à população brasileira.
A enfermagem é estratégica. E o futuro da saúde exige que esse protagonismo seja cada vez mais reconhecido, respeitado e integrado às políticas públicas e à gestão do setor.
*Sergio Cleto é enfermeiro e presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP)
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