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Crianças que passaram por situações de abuso ou negligência logo no começo da vida podem desenvolver uma grande dificuldade de se conectar com as pessoas ao redor, com impactos emocionais que podem ser sentidos pela vida toda.
Esse distúrbio é conhecido como transtorno de apego reativo, ou TAR, e muitas vezes é percebido por uma incapacidade em controlar as próprias emoções. Crianças acometidas pelo transtorno podem ser vistas como frias e distantes, e os obstáculos para formar laços com pais e cuidadores deve despertar sinais de alerta em quem observa de fora.
Entenda melhor o TAR, como ele se desenvolve, e o que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida de uma criança com o transtorno.
Causas do TAR
O transtorno de apego reativo faz parte de um grupo de condições psiquiátricas conhecidas como transtornos relacionados ao trauma e ao estresse. Por isso, há vários pontos em comum entre o TAR e condições como o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), por exemplo.
Uma distinção fundamental é que, enquanto o TEPT está relacionado a episódios traumáticos que podem ocorrer a qualquer momento da vida e em diferentes situações, o TAR se refere mais especificamente a situações ocorridas ainda na infância. Contextos de abuso e negligência podem levar a criança a desenvolver a aparente “barreira psicológica” para relacionamentos, como uma estratégia inconsciente de defesa.
Esse transtorno pode ocorrer em crianças que sofrem maus tratos, abusos ou convivem em um lar em que recebem pouca atenção de adultos. Ele também é mais comum naquelas que perderam os pais muito cedo na vida, ou que passaram seus primeiros anos em instituições como orfanatos, sem conseguir estabelecer laços significativos com cuidadores.
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Sintomas e diagnóstico
Os principais sintomas do TAR se relacionam à aparente incapacidade da criança em se conectar com quem cuida (ou deveria cuidar) dela. Isso pode se manifestar através do isolamento social e da dificuldade em demonstrar empatia ou carinho.
A forma de demonstrar esse afastamento em relação às outras pessoas pode variar de acordo com a criança e o contexto em que ela cresce. Enquanto em algumas o principal sinal é um ensimesmamento que acaba sendo confundido com timidez, em outras o transtorno de apego reativo pode se manifestar de forma mais violenta, com episódios de agressividade e ansiedade.
O diagnóstico deve ser feito por um profissional especializado em saúde mental, considerando critérios específicos relacionados aos sintomas e às condições de vida daquela criança. O contexto em que ela está crescendo, a forma como ela interage com adultos (e quais adultos fazem parte da rotina dela) e o momento de início dos sintomas são aspectos a considerar.
Muitos sinais do TAR podem ser confundidos com outros transtornos – a dificuldade de se conectar com pessoas ao redor pode ser indicativa do transtorno do espectro autista (TEA), por exemplo, que não depende de traumas ou abusos para se manifestar. Por isso, uma avaliação criteriosa do contexto em que a criança está inserida é essencial para identificar corretamente o quadro.
Tratamento
O TAR exige acompanhamento contínuo ao longo da infância, com profissionais especializados em saúde mental, como psicólogos e psiquiatras. Diferentes abordagens podem ser empregadas para lidar com os traumas e ajudar os pequenos a encontrar caminhos para formar laços com pessoas ao redor.
É fundamental que os adultos que cuidam daquela criança também sejam parte ativa desse processo, com treinamento e formação para os pais aprenderem a lidar com a condição, ou através do apoio de assistentes sociais habilitados para gerenciar um caso de TAR, no caso daquelas crianças que vivem em instituições como orfanatos.
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